A chegada de uma transformação.

por Patricia Cassique - ESCRITA MEDITATIVA


Sinto as primeiras dores; dores que sobem de baixo para cima e irradiam por toda a lateral dos ilíacos, indo em direcção ao processo espinhoso das primeiras vértebras lombares. Ao princípio, assustei-me perante a tamanha intensidade da dor e pensei que era somente o início de um processo que se me apresentava em fluxo.


As dores em si se expandiam e toda a minha atenção se direccionou para a respiração. Nunca imaginei que respirar de forma arrítmica iria abrandar minimamente o fluxo da dor.


Durante este processo, observava o medo da chegada, o medo da transformação e percebi que este medo habitava não só em mim mas no Ser que estava ali, pronto a nascer. Neste momento de sombra, pude acalmar o meu coração numa profunda oração e pude falar, em pensamento, com o Ser que ali se apresentava.


Era preciso coragem para dar tal passo, mas só ele poderia concretizá-lo; eu estaria ali para ajudá-lo neste momento tão desafiador.


A partir daí, senti o meu corpo todo entrando em fortes contracções e expulsões. Senti o meu corpo realizando um movimento que só ele sabia e nenhuma racionalização poderia ser feita a não ser seguir o fluxo.


Parecia uma onda de dor e a cada pico a bacia ia se abrindo como se fosse uma porta se alongando, aceitando todo o processo da Vida. As minhas emoções mesclavam-se, mesmo com todo cansaço já não podia desistir; o meu corpo estava tomado de êxtase, sentia-o em profunda expansão hormonal. Ao longe, ouvia uma voz masculina que me dizia: " Continua, continua". Sim, era mais uma motivação, mais um estímulo, assegurando-me que tudo estava certo e que podia continuar, pois faltava pouco.


Pronto! No pico de todo o trabalho, de repente, a pressão e dor cessaram, o alívio tomou conta de mim. O corpo acalmou e eu só sentia o fluxo sanguíneo circular por todo o corpo. A minha mente, nesse momento, centrou-se totalmente no Ser que já não habitava em mim.


E, num instante, a Vida se apresentou por via de mais um lindo choro que abria espaço num pulmão, mesmo que pequeno. Ali, a alma se apresentou de uma forma que só parou de chorar quando reconheceu o seu corpo ser acolhido pela sua eterna ligação.


Naquele momento, iniciei o meu próprio choro, transbordando por toda alma com uma mistura de alegria, alívio, cansaço, realização e gratidão.


Patricia Cassique


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